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A bolsa ou a vida


Obra faz balanço das políticas neoliberais
e da crise da dívida externa do Terceiro Mundo


A Editora Fundação Perseu Abramo está lançando a primeira edição brasileira de "A Bolsa ou a Vida – A dívida externa do Terceiro Mundo: As finanças contra os povos", do economista belga Eric Toussaint, presidente do Comitê para Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM), com sede em Bruxelas. O CADTM é uma rede internacional que milita por alternativas radicais ao sistema econômico predominante, pelo respeito às liberdades e aos direitos humanos fundamentais. Suas atividades visam a informação e a sensibilização do público mais amplo sobre a questão das diferenças Norte–Sul.


É justamente este, por sinal, o objetivo de "A Bolsa ou a Vida", em que Toussaint explica e analisa numa perspectiva histórica a crise da dívida dos países da Periferia, no quadro da segunda metade do século XX e dos primeiros anos do século XXI, para provar que a "Aldeia Global do livre câmbio e do ‘tudo para a iniciativa privada’ como portadora de desenvolvimento humano é um mito". A abordagem do autor nada tem de acadêmica, mas não lhe falta rigor científico. Toussaint apresenta a problemática da dívida no seu contexto de conjunto, abrindo o debate sobre as alternativas.


Trata-se de um dos estudos mais completos do processo político-econômico pelo qual o mundo passou nos últimos 20 anos, principalmente das políticas neoliberais levadas a cabo nos quatro cantos do planeta pelo FMI e pelo Banco Mundial e de suas conseqüências sociais, além de mostrar como a dívida externa dos países do Terceiro Mundo foi utilizada para a implementação dessas políticas.


Escrito originalmente em fins de 1996 e já editado em francês, inglês, espanhol, alemão, holandês e turco, o obra de Toussaint foi atualizada e ampliada pelo autor para a edição brasileira devido às transformações econômico-políticas que o mundo sofreu a partir do ano passado: desde o início de 2001, uma crise econômica generalizou-se progressivamente no conjunto do planeta e as condições de vida pioraram nos países do Sul e do Leste, especialmente em razão do peso da dívida externa e do comércio desigual. Exatamente como havia previsto a análise que Toussaint fazia dos fatos na edição original, ao revelar que a crise é o resultado das políticas do Banco Mundial, do FMI e da OMC (Organização Mundial do Comércio), ou seja, de um modelo baseado na concentração de renda e na exclusão social.

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