Depois de apresentar uma radiografia da dívida externa brasileira no livro "O Brasil endividado", lançado em 2000, o economista Reinaldo Gonçalves e o historiador Valter Pomar voltaram-se ao estudo de nossa dívida interna, reunindo e sintetizando as informações disponíveis sobre a questão desde 1850 até os dias atuais em "A armadilha da dívida – Como a dívida interna impede o desenvolvimento econômico e aumenta a desigualdade social", um novo lançamento da Editora Fundação Perseu Abramo.
A partir da constatação de que os governos brasileiros, nos últimos anos, têm gasto mais recursos com a dívida pública interna do que com a externa, os autores investigam a origem daquela dívida, qual a sua composição e quem são seus beneficiários, dando destaque ao salto brutal que ela empreendeu durante os dois mandatos do atual presidente da República. Segundo Gonçalves e Pomar, "Quando o presidente Fernando Henrique Cardoso tomou posse, no início de 1995, o primeiro brasileiro que nasceu recebeu junto com a certidão uma dívida pública de 1 mil reais. No final de 2000, essa dívida já havia crescido para 3.391 reais".
A obra traz diversas revelações surpreendentes, que surgem da apresentação dos fatos, bem como da análise que deles fazem os autores. Entre elas, merece destaque o quadro comparativo das taxas de crescimento médio anual do PIB brasileiro, desde o reinado de Pedro II até o governo de FHC. Os números mostram como o atual governo se coloca em último lugar entre os nossos sete chefes de Estado com pior desempenho no tocante a este índice, com taxa média de crescimento na ordem de 2,4%, muito inferior à média histórica (4,4%) do Brasil.
"A armadilha da dívida" integra a coleção "Brasil Urgente", formada por obras que apresentam textos curtos, jornalísticos e acessíveis ao público em geral, tanto em termos de conteúdo quanto de preço. A coleção tem se destacado por apresentar uma visão crítica do Brasil na atualidade.