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Simulacro e Poder
Uma Análise da Mídia
CHAUI, Marilena
Marilena Chaui fala sobre a abolição da diferença entre os espaços público e privado e como os códigos da vida pública passam a ser determinados e definidos pelos códigos da vida privada. Para a professora, enquanto o pensamento e o discurso de direita reiteram o senso comum que permeia a sociedade, no caso da esquerda é preciso ultrapassar obstáculos, o que representa desmontar esse senso comum e a aparência de realidade e verdade que as condições sociais e as práticas existentes parecem possuir.
- Editora: Fundação Perseu Abramo
- ISBN: 8576430274
- Páginas: 144
- Ano: 2006
- Edição: 1
- Lingua: Português
- Peso: 180 gramas
- Prefácio: Os meios de comunicação de massa tornaram irrelevantes as categorias da verdade e da falsidade e as substituíram pelas noções de credibilidade ou plausibilidade e confiabilidade - para que algo seja aceito como real basta que apareça como crível ou plausível, ou como oferecido por alguém confiável. Os fatos cederam lugar a declarações de "personalidades autorizadas", que não transmitem informações, mas preferências, as quais se convertem imediatamente em propaganda.
Qual a base de apoio da credibilidade e da confiabilidade? Trata-se do apelo à intimidade, à personalidade, à vida privada como suporte e garantia da ordem pública. Em outras palavras, os códigos da vida pública passam a ser determinados e definidos pelos códigos da vida privada, abolindo-se a diferença entre espaço público e espaço privado.
A partir desses pressupostos, Marilena Chaui discute em Simulacro e poder: uma análise da mídia a questão do poder e dos meios comunicação na sociedade contemporânea, apresentando idéias e discussões instigantes sobre pontos centrais para entender o mundo de hoje.
O livro traz ainda dois ensaios que abordam questões relativas à democracia, aos direitos e à violência no Brasil: "Direitos humanos e medo" e "Democracia e autoritarismo: o mito da não-violência".
Em Simulacro e poder, Marilena Chaui analisa o comportamento da mídia nos tempos atuais
Neste lançamento da Editora Fundação Perseu Abramo, nas livrarias a partir de 2 de agosto, a professora de filosofia da USP Marilena Chaui fala sobre a abolição da diferença entre os espaços público e privado e como os códigos da vida pública passam a ser determinados e definidos pelos códigos da vida privada.
Para a professora, enquanto o pensamento e o discurso de direita reiteram o senso comum que permeia a sociedade, no caso da esquerda é preciso ultrapassar obstáculos, o que representa desmontar esse senso comum e a aparência de realidade e verdade que as condições sociais e as práticas existentes parecem possuir, reinterpretar a realidade, e ainda, como afirma Chaui, criar uma fala nova, capaz de exprimir a crítica das idéias e práticas existentes, capaz de mostrar aos interlocutores as ilusões do senso comum e, sobretudo, de transformar o interlocutor em parceiro e companheiro para a mudança daquilo que foi criticado.
Na sociedade contemporânea, as noções de credibilidade ou plausibilidade e confiabilidade substituíram as categorias da verdade e da falsidade; os fatos deram lugar a declarações de personalidades autorizadas, que não transmitem informações, mas preferências, as quais se convertem imediatamente em propaganda. A partir deste quadro, Marilena Chaui discute em Simulacro e poder: uma análise da mídia a questão do poder e dos meios comunicação, apresentando idéias e discussões instigantes sobre pontos centrais para entender o mundo de hoje.
O livro traz ainda dois ensaios que abordam questões relativas à democracia, aos direitos e à violência no Brasil: Direitos humanos e medo e Democracia e autoritarismo: o mito da não-violência.
Para a classe dominante de uma sociedade, pensar e expressar-se é coisa fácil: basta repetir idéias e valores que formam as representações dominantes da sociedade (afinal, como dizia Marx, as idéias dominantes de uma sociedade são as da sua classe dominante).
O pensamento e o discurso da direita, apenas variando, alterando e atualizando o estoque de imagens, reiteram o senso comum que permeia toda a sociedade e que constitui o código imediato de explicação e interpretação da realidade, tido como válido para todos.
Eis por que lhe é fácil falar, persuadir e convencer, pois os interlocutores já estão identificados com os conteúdos dessa fala, que é também a sua na vida cotidiana.
Para a esquerda, porém, a dificuldade é imensa porque o pensamento e o discurso são forçados a realizar quatro trabalhos sucessivos ou até mesmo simultâneos: precisam, primeiro, desmontar o senso comum social; em seguida, precisam desmontar a aparência de realidade e verdade que as condições sociais e as práticas existentes parecem possuir, aparência sobre a qual se funda tanto a fala da direita como a compreensão dos demais agentes sociais; precisam, a seguir, reinterpretar a realidade, revelar seus fundamentos secretos e suas operações invisíveis para que se possa compreender e explicar o surgimento, as formas e mudanças da sociedade e da política; e, finalmente, precisam criar uma fala nova, capaz de exprimir a crítica das idéias e práticas existentes, capaz de mostrar aos interlocutores as ilusões do senso comum e, sobretudo, de transformar o interlocutor em parceiro e companheiro para a mudança daquilo que foi criticado.
Assim, enquanto para a direita basta repetir o senso comum produzido por ela mesma, para a esquerda cabe o trabalho da prática e do pensamento críticos, da reflexão sobre o sentido das ações sociais e a abertura do campo histórico das transformações do existente.
Marilena Chaui
Simulacro e pode: A indústria cultural
I. Destruição da esfera da opinião pública
II. Encenação: a produção do simulacro
III. Entretenimento
IV. Destruição da autonomia do pensamento e das artes: indústria cultural
V. A condição pós-moderna
VI. Os meios de comunicação
VII. A informática e o sistema multimídia
VIII. A questão central: os meios de comunicação como poder
Anexo
I. Passeio pelo país das palavras
II. Breve referência às primeiras teorias do conhecimento
Direitos humanos e medo
Democracia e autoritarismo: O mito da não-violência