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Editoração
1. ITáLICO
Nomes de livros, filmes, discos, jornais, revistas, programas de TV, espetáculos teatrais; sites. Não inclui nomes de emissoras de televisão.
Obs: Lembre-se que os nomes dos jornais diários são como marcas registradas, ou seja, devem ser grafados conforme aparecem nas primeiras páginas das publicações, como, por exemplo, Folha de S.Paulo (sem espaço entre o "S." e "Paulo") e O Estado de S. Paulo (com espaço).
Palavras e expressões estrangeiras ainda não incorporadas ao português (incluindo as expressões de origem latina : status quo, ad aeternum, data venia etc.);
Nomes de obras de arte (quadros, estátuas, óperas, sinfonias : a Vênus de Milo, a Sinfonia Fantástica de Berlioz, o mural Guernica de Picasso etc.);
A palavra "status" não precisa ser grafada em itálico, visto que já foi dicionarizada em língua portuguesa.
2. ASPAS - Colocação
Para citações literais. Exemplos:
Foi Euclides da Cunha quem escreveu: "O sertanejo é antes de tudo um forte."
Segundo o ministro, "não há por que adiar a implementação das reformas".
Obs.: Para os casos de uso de dois pontos e aspas ver o item 10.
Para indicar partes de um todo : o conto "A hora e a vez de Augusto Matraga" de Sagarana; o artigo "Brasil é campeão mundial de cólera", da Folha de S. Paulo; a música "Vatapá" do disco Gal canta Caymmi;
3. NUMERAIS
Números inteiros de zero a dez devem ser escritos por extenso, sejam cardinais ou ordinais. Os demais deverão ser escritos em forma de números.
Numeração mista para números acima de 10 mil: para mil, milhões, bilhões etc, deverá se usar o modo misto. Ex.: 7 milhões, 200 bilhões, 1,3 bilhão, 17,4 mil etc. Atenção: 2.000, 9.000, mas 11 mil, 20 mil etc. Obs.: O fracionamento com vírgulas somente deve ser usado em números acima de 10 mil. Ex.: 3.500 pessoas; 12,5 mil pessoas.
10 mil e valores acima, escrever sempre na forma mista. Ex.: 10 mil, 34 mil.
Frações devem ser escritas por extenso. Ex.: dois terços, quatro quintos.
Quando se referir a quilômetros: números de 0 a 10 por extenso, mas a não usar "km" e, sim, "quilômetros".
Não use algarismos no início de frases. Nestes casos utilize sempre o número ou numeral por extenso.
Devem ser sempre escritos em números, mesmo que contrariem as normas anteriores:
Datas, inclusive décadas e anos. Ex.: no dia 25; 1o de maio; na década de 1940; os anos 1960. Obs.: Nos números que indicam anos não se usa ponto. Ex.: A Primeira Guerra Mundial vai de 1914 a 1918.
Lei, decreto ou medida provisória. Ex.: A lei 2.413; o decreto 3.598 (sem a palavra ou abreviação "número").
Indicação de altura de pessoa. Ex.: ele mede 1,70m.
Endereços. Ex.: rua átria, número 10; número 42 da rue du Bac.
Indicação de hora, que deve ser feita seguindo o modelo h-min. Ex.: o jogo era às 14h23min.
Obs.: as horas redondas devem também ser indicadas por números, mas as metades redondas podem ser escritas por extenso. Ex.: três e meia da tarde, onze e meia, 21 horas, 9 horas etc.
Idade, incluindo meses de vida : 5 anos, 9 anos, 23 anos, 2 meses.
Porcentagem: 1%, 33%, 100%.
Quando houver referência a dois elementos que, separadamente, deveriam ser escritos de formas diferentes. Ex: uma área de 5 por 18 metros; a votação foi de 35 votos contra 3; o presidente do Brasil governou por 15 anos, o do Haiti por 9 e o da França por 3.
Resultados de jogos esportivos. Ex.: O Flamengo ganhou de 4 X 0 do Coríntians; o jogo acabou 2 a 1; o placar final foi de 87 a 9.
Números decimais: a sala mede 2,4 por 7,8 metros.
Valores em dinheiro, mesmo que menores que dez; a moeda deverá ser escrita por extenso. Ex.: 20 milhões de reais (e não R$ 20 milhões), 3,4 mil dólares.
Atenção para os seguintes casos:
Números romanos - Devem ser usados para séculos, papas, incisos e nomes próprios. Ex.: século XVIII, papa João XXIII, artigo 2o, inciso IV, o time do XV de Piracicaba etc.
Não use algarismos no início de frase. Modifique-a para tirar o algarismo do início da frase ou, se não for possível, escreva o número por extenso.
Cuidado ao traduzir numerais de outras línguas. Billion em francês moderno designa trilhão e não bilhão. Já no inglês norte-americano, billion equivale a bilhão, mas no inglês britânico pode significar trilhão, se se tratar de um texto em inglês clássico. Já em espanhol pode-se designar o bilhão como mil millones, mas pode-se usar também billón. Ex.: 3 mil millones = 3 bilhões.
4. NOMES PRóPRIOS EM GERAL
Nomes de pessoas:
1. No momento de traduzir, é preciso estar atento para a existência ou não de uma forma consagrada em português para determinados nomes próprios ( personagens mitológicos, reis e príncipes, santos, profetas, autores da Antiguidade clássica, artistas da Renascença etc.).
Alguns nomes tradicionais têm formas muito diferentes nas várias línguas, o que pode ser uma armadilha num momento de distração. Por exemplo, o santo apóstolo Tiago é Santiago em espanhol, Jacques em francês, James em inglês, Giacomo em italiano, Jakobus em alemão. O escritor latino Juvenal é Giovenale em italiano, assim como os reis franceses chamados Louis se transformaram em Ludwig na língua alemã. O aconselhável é ficar atento para este tipo de nomes e recorrer com freqüência a uma boa enciclopédia.
2. Em determinados idiomas, como o francês e o espanhol, tradicionalmente traduzem nomes próprios de personagens importantes. Assim num livro escrito em francês sobre o revolucionário italiano Garibaldi, o primeiro nome deste aparece como Joseph. Se era italiano, não havia por que chamar-se Joseph. Na verdade, seu nome de batismo era Giuseppe, e é assim que o tradutor brasileiro deve chamá-lo. O mesmo acontece com o compositor russo Tchaikovski, que se chamava Piotr e não Peter, como aparece nos discos produzidos na Alemanha ou nos Estados Unidos. É mais uma coisa para a qual o tradutor deve estar alerta.
Nomes de cidades: não há outra regra senão seguir o uso normal do português do Brasil.
Nossos irmãos portugueses exageram um pouco no aportuguesamento e chamam Estugarda a cidade alemã de Stuttgart, além de usarem outras formas estranhas como Tolosa (Toulouse), Bona (Bonn), Moscovo (Moscou), Saigão etc. Não vamos chegar a tanto, mas há nomes que já têm forma tradicional em português e convém empregá-las na tradução: Turim, Zurique, Munique, Marselha, Antuérpia, Milão, Gênova, Cantuária (Canterbury), Colônia (Koln), Nova York etc. O mesmo vale para nomes de regiões e países. Aconselha-se consultar, neste caso, a enciclopédia ou os manuais de redação da Folha de S.Paulo e de o O Estado de S. Paulo, que trazem listas destes nomes.
5. ORTOGRAFIA
Segue-se a ortografia oficial brasileira, conforme o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras, e empregada no dicionário Aurélio.
Exceções: grafar com caixa baixa: país, nação, estado (quando for unidade da federação; quando se referir à instituição deve ser com caixa alta).
6. NOTAS
A indicação das notas (chamadas) em relação à pontuação do texto deve seguir os exemplos abaixo:
Che desaparece misteriosamente13.
Concluiu então que "Che desaparece misteriosamente"13.
E chegou à seguinte conclusão: "Che desaparece misteriosamente." 13
O tradutor deverá organizar a numeração das notas por capítulo, independentemente da norma seguida pela editora do original. As notas devem ser indicadas em algarismos arábicos sobrescritos, como no exemplo acima.
Quando o tradutor julgar importante fazer notas explicativas à tradução, deverá indicá-las com um asterisco*. Não é necessário acrescentar a indicação [N. T.], pois a distinção entre nota do autor e nota do tradutor será feita pelo tipo de indicação (algarismos arábicos e asteriscos). A localização da nota do tradutor (rodapé ou fim do capítulo) ficará a critério do editor.
7. ETC.
Não usamos vírgula antes de etc. Ex: Gostava de música, cinema, TV etc.
8. SIGLAS
Toda em CAIXA ALTA quando sua abreviação corresponder exatamente ao seu significado.
Em CAIXA ALTA e caixa baixa quando seu significado não corresponde exatamente à sigla.
A regra geral é escrever primeiro seu dignificado e, entre parênteses, sua sigla na primeira vez em que aparece no texto. Nas demais, dar preferência para a sigla.
9. CAIXA ALTA E CAIXA BAIXA
UTILIZA-SE CAIXA ALTA PARA:
Acidentes geográficos apenas quando fizerem parte de nome próprio (Ex.: Cabo Verde, Costa do Marfim);
Apelidos de personagens históricos como: Ricardo Coração de Leão; Maria, a Louca.
Citações, depois de dois pontos, seja em casos de recuo, seja na mesma frase.
Corpos celestes.
Constituição no sentido de Carta Magna.
Datas, eventos históricos, feriados, feriados ou festas populares e religiosas (Ex.: Guerra do Golfo, Ramada, Ano Novo).
Deus/Diabo, quando se referir à entidade absoluta.
Direito, quando se referir ao conjunto de normas.
Entidades religiosas quando se referir a entidades absolutas, como Buda, Messias etc.
Estado, quando sinônimo de unidade.
Executivo e demais Poderes (Ex.: Poder Executivo).
Federação, quando usada como conceito político.
Instituições e órgãos quando se tratar de nome completo, como Supremo Tribunal Federal, Prefeitura Municipal de São Paulo, Polícia Militar etc.
Justiça, quando se referir ao Poder Judiciário.
Leis quando se tratar de lei conhecida pelo nome, como Lei Sarney e Lei do Ventre Livre.
Monarquia, quando se referir ao Estado.
Norte, sul, leste e oeste quando integrar um nome próprio, como, Timor Leste; ou quando designar conceito geopolítico.
Ocidente/Oriente quando se referir a hemisfério como conceito político.
País quando se trata de nome próprio, como País de Gales.
Períodos geológicos.
Períodos históricos.
Pontos cardeais quando indicarem uma região específica. (Exs.: "passou férias no Nordeste" e "Los Angeles é a maior cidade da Costa Oeste).
Prêmios e distinções.
Regiões geográficas consagradas (Ex.: Vale do Paraíba e Extremo Oriente).
República quando se referir a Estado.
Títulos de obras e programas de televisão.
União como conceito político.
Unidades administrativas (Ex.: Condado, Província etc.)
UTILIZA-SE CAIXA BAIXA PARA:
Acidentes geográficos quando não fazem parte de nome próprio, como oceano Atlântico e mar Mediterrâneo.
Cargos e profissões, títulos honoríficos e formas de tratamento (Ex.: papa, presidente, mestre, doutor etc.).
Ciências, disciplinas, escolas e movimentos artísticos (Ex.: direito, literatura, surrealismo etc.).
Deus/diabo em acepções que não se referir à entidade absoluta, como "com o diabo no corpo" e "ele é um deus".
Direito quando se referir à disciplina acadêmica.
Ecossistemas, como cerrado, floresta amazônica etc.
Entidades religiosas quando se tratar de entidades não-absolutas, como arcanjo e são Pedro.
Estado como sinônimo de situação.
Exterior, em todos os casos.
Gentílicos (Ex.: brasileiro e americano).
Governo, sempre com caixa baixa.
Instituições e órgãos quando aparecem no texto pela segunda vez no texto de forma simplificada.
Justiça quando utilizada como substantivo abstrato.
Leis quando usadas com números por exigência do texto, como em citações (Ex.: lei n0 5.250). Dar preferência, quando o texto não o exigir, para a forma sem a palavra ou abreviação de "número".
Lua quando se tratar de expressões como luz da lua, noite de lua cheia.
Meses e dias da semana grafar sempre em caixa baixa.
Monarquia quando se referir a forma de governo.
Nação, usar sempre em caixa baixa.
Norte, sul, leste e oeste quando se tratar de pontos cardeais, indicando direção (como "rumo norte" e "preferiu seguir para o sul") ou quando tiver valor adjetivo ("fronteira sul" e "extremo norte").
Ocidente e oriente quando se utilizados como pontos cardeais.
País sempre que não fizer parte de nome próprio.
República quando se referir a forma de governo.
Sol quando se tratar de expressões como luz do sol.
Unidades administrativas: apenas no caso de município.
Vias e logradouros como rua da Consolação e praça da República.
10. OUTROS CASOS:
Internet: usar sempre com caixa baixo: "internet".
Ponto final e aspas: é usado depois de fechar as aspas quando estiverem incluídas em um período. É usado o ponto final antes de fechar as aspas quando todo o período for a citação "aspeada".
Barra e traço: devem ser usados sem espaço entre as palavras ou números. Ex.: SIVAM/SIPAM, 1964-1968.
Para logradouros em formas estrangeiras: a regra é manter na forma original (Wall Street, rue de 1'Arbre, Champs Élysées, Hyde Park, calle Florida, Bois de Boulogne, Central Park, Palais Bourbon, Hotel Mantignon, Grand Canyon, Tuileries, Versailles, Madison Avenue etc), mas há casos em que já existe uma forma corrente em português, que deve ser usada: na esquina da rua 46 e da 5a avenida (Nova York), a praça Vermelha (Moscou), a praça de Maio (Buenos Aires). Ver também o item "Nomes próprios".
Idem, ibidem, et alii e outras expressões latinas: não usar em itálico, ou seja, sempre redondo.
Para grafia de cidades, países etc. e dúvidas quanto a Bibliografia e Referências Bibliográficas, consultar a obra O livro: manual de preparação e revisão, de Ildete Oliveira Pinto.
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